D. Afonso VI (1643-1683) «O Vitorioso» ou… «o Impotente»?

By : Dezembro 7th, 2020 Senza categoria 0 Comments

D. Afonso VI é um dos representantes portugueses dos escândalos que envolvem a monarquia.

D. Afonso VI ficou consagrado como “O Vitorioso” na História da Monarquia portuguesa, porque foi no seu reinado que aconteceram as batalhas decisivas durante a guerra de restauração que acabou em 1668 com a independência de Portugal do reino espanhol.

Mas se por um lado ele manejava bem a espada no campo de batalha, com as mulheres não tinha o mesmo talento.

Mas vamos com ordem. 

D Afonso era filho de D. João IV e de D. Luísa de Gusmão.  Atacado na infância por doença não identificada, fica mental e fisicamente diminuído. Com a morte de seu irmão D. Teodósio e de seu pai, sobe ao trono com treze anos, pelo que a regência ficou entregue a sua mãe. O rei foi crescendo, rebelde a toda a acção educadora, levando uma vida desregrada e manifestando-se perfeitamente incapaz para assumir as responsabilidades do governo.

Um dos seus companheiros, na vida de arruaceiro que levava, António Conti, insinuou-se-lhe de tal maneira que em breve passou a viver no Paço, a convite de D. Afonso VI e a ter influência nos negócios do governo do reino. O escândalo aumentou a um ponto que D. Luísa de Gusmão fez jurar herdeiro do trono o infante D. Pedro, irmão mais novo de D Afonso, e António Conti foi preso. 

Entretanto, o conde de Castelo Melhor, conselheiro do rei e primeiro-ministro, executou um golpe de Estado, compelindo D. Luísa, a entregar o governo a D. Afonso VI e forçando-a a retirar-se para um convento.

Nas boas graças do rei,, lança-se na sua curta a brilhante carreira política, terminando vitoriosamente com a guerra da Restauração e conseguindo casar D. Afonso com Maria Francisca Isabel de Saboia que muito rapidamente entrou em conflito con o conde, e ajudou o cunhado D Pedro a afastar do governo o seu proprio marido.

Para consegui-lo, pediu de anular o casamento, acusando o rei de impotencia. Durante o processo, bem 14 mulheres participaram como testemunhas.

D. Afonso VI viveu então a humilhação de ter essas catorze mulheres a testemunharem a sua incapacidade na cama!

No espaço temporal balizado entre 9 de janeiro e 23 de fevereiro do ano de 1668, ocorreram audiências públicas que visaram avaliar uma possível incapacidade sexual do Rei D. Afonso VI. O momento histórico ocorreu no paço do arcebispo de Lisboa. Foram chamadas para depor 55 testemunhas, distribuídas por segundas, quartas e sábados, sempre à tarde.

A rainha refugiou-se no Convento da Esperança, tendo designado como procurador no processo, o duque de Cadaval.

Não faltaram detalhes primorosos que estão presentes num manuscrito na Torre do Tombo que foi publicado por António Baião, no ano de 1925. Intitulado Causa de nulidade de matrimónio entre a rainha D. Maria Francisca Isabel de Saboya e o Rei D. Afonso VI, este documento revelou os depoimentos das suas 14 parceiras.

Nenhuma das mulheres defendeu D. Afonso VI.

Aliás, ninguém compareceu nas audiências para defender D. Afonso que, posteriormente, foi deposto por decisão do Conselho de Estado.

Com uma nova conspiração no paço, resultou a abdicação de D. Afonso VI. D. Pedro toma as rédeas do poder, casou com a cunhada, depois da anulação do casamento desta com D. Afonso e este último foi desterrado para Angra do Heroísmo em 1669, donde regressou em 1674, sendo então encerrado no Palácio de Sintra, onde ainda podem visitar o seu quarto-prisão, até à sua morte.

D.Pedro II foi coroado Rei, e cumpriu  bem com o seu papel com D. Maria Francisca. 9 meses depois nasceu uma princesa, Isabel Luísa.

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